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Plano de saude negou atendimento de urgencia ou emergencia? O que fazer

Publicado em 7 de julho de 2026Atualizado em 7 de julho de 2026Revisão jurídica: sócio advogado do Caso Claro (OAB a confirmar)
Resposta rápida

Se o plano negou um atendimento de urgência ou emergência, você tem direito de exigir a negativa por escrito com a justificativa, buscar reembolso quando não foi possível usar a rede credenciada e registrar reclamação na ANS pela NIP. Em situações assim, muitas famílias também recorrem a uma liminar judicial por causa do tempo.

Qual a diferença entre urgência e emergência para o plano de saúde?

Para o plano de saúde, emergência é a situação que traz risco imediato de vida ou de lesão irreparável para você. Urgência é o caso decorrente de acidente pessoal ou de complicação no processo gestacional. Na prática, a diferença técnica importa menos do que parece: nos dois casos a lei garante atendimento e, se o plano não tiver como atender pela rede própria ou credenciada, você tem direito a reembolso das despesas que precisou pagar.

A tabela abaixo resume as duas situações e o que fazer em cada uma.

SituaçãoO que caracterizaO que fazer na hora
EmergênciaRisco imediato de vida ou de lesão irreparávelBuscar o atendimento mais próximo, mesmo fora da rede, e guardar todos os documentos
UrgênciaAcidente pessoal ou complicação na gestaçãoBuscar o hospital ou pronto-socorro mais próximo e registrar a tentativa de usar a rede credenciada
Negativa do planoRecusa de autorizar, negar cobertura ou não responderPedir a negativa por escrito e anotar data, hora e nome de quem atendeu
Rede indisponível ou recusa injustificadaHospital credenciado não atende ou o plano não autoriza a tempoPagar o atendimento particular se necessário e pedir reembolso depois

O plano pode negar atendimento por causa de carência?

Muita gente acredita que, se ainda está em período de carência, o plano pode simplesmente recusar o atendimento de urgência ou emergência. Não é bem assim. A lei prevê um prazo reduzido de carência específico para esses casos, mas o número exato pode variar conforme o tipo de contrato, por isso não vamos citar aqui um prazo fixo: [conferir] no seu contrato ou no manual do beneficiário qual é o prazo de carência para urgência e emergência informado pela sua operadora. Se esse prazo já tiver passado, a negativa por causa de carência não se sustenta.

O plano pode recusar autorizar o atendimento na rede credenciada?

Não deveria, mas na prática acontece: hospital credenciado sem vaga, plantonista que diz não receber aquele convênio, central de autorização que não responde. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu, em novembro de 2020, que a recusa injustificada da operadora em atender pela rede credenciada também gera direito a reembolso, mesmo fora do cenário clássico de rede indisponível. Ou seja: se você tentou usar a rede e não conseguiu por um problema do lado do plano, isso conta a seu favor. Se isso acontecer, você não precisa aceitar a recusa calada: pergunte o nome de quem está negando, peça para falar com um supervisor e registre por escrito, mesmo que seja por mensagem, a resposta que você recebeu.

Vale lembrar que a Súmula 608 do STJ mantém o entendimento de que o Código de Defesa do Consumidor se aplica aos planos de saúde (com exceção dos planos de autogestão), o que reforça a posição do beneficiário nesse tipo de discussão.

Tenho direito a reembolso se paguei um hospital particular na urgência?

Sim, esse direito está no artigo 12, inciso VI, da Lei 9.656/98: quando não for possível usar a rede própria ou credenciada em uma urgência ou emergência, você tem direito ao reembolso das despesas efetuadas, dentro dos limites estabelecidos no contrato. Guarde nota fiscal, recibo, laudo médico e qualquer prova de que tentou (ou não teve como) usar a rede credenciada antes de pagar do próprio bolso. O reembolso costuma seguir a tabela de referência do próprio plano para procedimentos particulares, e não necessariamente o valor integral que você pagou, por isso vale a pena checar no contrato como essa tabela funciona antes de fechar a conta com o hospital, se der tempo.

E se o procedimento necessário na urgência não estiver no rol da ANS?

Às vezes a emergência é resolvida, mas o procedimento de continuidade (uma cirurgia, um medicamento, uma internação prolongada) não consta no rol de procedimentos da ANS. Depois da ADI 7265, o entendimento é que o rol da ANS é taxativo mitigado (não exemplificativo). Para cobertura de algo fora do rol, são exigidos todos estes 5 requisitos, cumulativos: prescrição por médico assistente habilitado; inexistência de negativa expressa da ANS e de pendência de análise em PAR (Processo Administrativo para Atualização do Rol); ausência de alternativa terapêutica adequada no rol; comprovação de eficácia e segurança por evidências de alto nível ou ATS (Avaliação de Tecnologia em Saúde); e registro na Anvisa. Isso não é automático: é uma análise caso a caso que costuma exigir laudo médico bem detalhado.

O plano é obrigado a me dar a negativa por escrito?

Sim. A operadora é obrigada a fornecer a negativa de cobertura por escrito, com a justificativa técnica ou contratual, quando o beneficiário solicitar. Isso vale tanto para negativas no balcão do hospital quanto para negativas por telefone ou aplicativo: peça que registrem e enviem por escrito, por e-mail ou pelo canal oficial do plano. Sem esse documento fica muito mais difícil provar depois o que aconteceu.

O que fazer agora: passo a passo

Se você está vivendo isso neste momento, o mais importante é não perder documentos e não deixar a recusa de boca sem registro.

  • Passo 1: Priorize o atendimento. Se for emergência, vá para o hospital mais próximo, mesmo que seja fora da rede, e resolva a questão financeira depois.
  • Passo 2: Peça a negativa por escrito, com justificativa, assim que ela acontecer. Se for verbal, anote data, hora, nome e cargo de quem negou.
  • Passo 3: Guarde todos os documentos do atendimento: nota fiscal, recibo, prontuário, laudo médico, pedido de exame ou internação e comprovantes de pagamento.
  • Passo 4: Documente a tentativa de usar a rede credenciada (prints de tentativa de contato, protocolo de ligação, mensagem no aplicativo do plano) antes de pagar particular.
  • Passo 5: Peça reembolso formalmente à operadora, por escrito, anexando toda a documentação reunida nos passos anteriores.
  • Passo 6: Se a operadora não responder ou negar de forma que pareça indevida, registre uma reclamação na ANS pela NIP (Notificação de Intermediação Preliminar), pelo 0800 701 9656 (segunda a sexta, das 9h às 17h) ou pelo site ans.gov.br. A operadora tem 5 dias úteis para responder a demandas assistenciais, e o descumprimento das regras de cobertura pode gerar multa de até R$ 80.000 para a operadora, além de multa de até R$ 30.000 se ela não informar o motivo da negativa por escrito.

Quando procurar um advogado

Em casos de urgência e emergência, o tempo costuma ser o fator decisivo, e por isso a via judicial (pedido de liminar) é mais comum aqui do que em outras discussões com plano de saúde: uma decisão liminar pode determinar que a operadora autorize ou custeie o atendimento em poucos dias. Isso não significa que toda negativa vai virar uma liminar concedida: cada caso depende das provas reunidas e da análise do juiz.

Vale saber também que, desde o julgamento do Tema 1.365 pelo STJ, em abril de 2026, o dano moral por negativa de cobertura deixou de ser presumido automaticamente na maioria dos casos. Ainda assim, o próprio STJ reconhece que situações de urgência e emergência, especialmente quando agravam o sofrimento do paciente, continuam sendo um cenário em que a indenização por dano moral pode ser discutida. Nada disso é garantia de resultado: é o tipo de avaliação que depende dos documentos, dos laudos e das circunstâncias específicas do seu caso, e por isso costuma valer a pena reunir a documentação antes de decidir os próximos passos com um profissional.

Se decidir buscar orientação jurídica, leve a negativa por escrito, os documentos do atendimento e o comprovante de que você tentou resolver administrativamente (protocolo da NIP, por exemplo). Isso ajuda qualquer profissional a avaliar seu caso com mais precisão e rapidez, o que importa especialmente quando o problema ainda está em andamento.

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A triagem é gratuita e mostra se o seu caso tem elementos para contestar a negativa. Cada caso é único: nenhum resultado é garantido.

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Este conteúdo é informativo e de caráter geral. Ele não substitui orientação jurídica individualizada nem consulta com um advogado sobre o seu caso específico. O Caso Claro não é escritório de advocacia.