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Como pedir a carta de negativa por escrito ao plano de saude?

Publicado em 7 de julho de 2026Atualizado em 7 de julho de 2026Revisão jurídica: sócio advogado do Caso Claro (OAB a confirmar)
Resposta rápida

A operadora do seu plano de saúde é obrigada a te entregar a negativa de cobertura por escrito, com o motivo explicado. Para pedir isso, você pode usar o aplicativo, o site, o e-mail ou a central de atendimento da operadora, deixando claro que quer a justificativa formal do procedimento negado.

O plano é obrigado a me dar a negativa por escrito?

Sim. Se você pediu um procedimento, exame, cirurgia ou medicamento e a operadora negou (por telefone, aplicativo, presencialmente ou até por mensagem informal), você tem o direito de receber essa negativa por escrito, com a justificativa detalhada. Essa exigência está nas normas da ANS que regulam a relação entre operadoras e beneficiários.

Isso existe porque a negativa verbal não serve como prova. Se depois você precisar contestar a decisão, seja pedindo uma revisão administrativa, seja entrando com uma ação judicial, vai precisar mostrar exatamente o que foi negado e por qual motivo. Sem isso por escrito, fica a sua palavra contra a da operadora.

Vale lembrar que o Código de Defesa do Consumidor se aplica aos planos de saúde, com exceção dos planos de autogestão, conforme a Súmula 608 do STJ, que está vigente. Isso reforça o dever da operadora de te dar informação clara, escrita e completa sobre qualquer negativa de cobertura.

O que a carta de negativa precisa ter?

Uma negativa por escrito completa não é só um "não" seco. Ela precisa trazer elementos que permitam entender, e se for o caso contestar, a decisão.

Entre os itens essenciais estão o número de protocolo do atendimento, o motivo específico da negativa (por exemplo: fora do rol da ANS, sem previsão contratual, caráter experimental), a cláusula do contrato ou a norma da ANS citada como base, a data da negativa e a identificação de quem respondeu, seja nome ou setor responsável.

Se o motivo alegado for "fora do rol da ANS", vale saber que o rol não é interpretado de forma totalmente fechada nem totalmente aberta. Desde a decisão do STF na ADI 7265, de 18/09/2025, o rol da ANS é taxativo mitigado, não exemplificativo. Ou seja: para ter cobertura de um procedimento fora do rol, é preciso reunir, ao mesmo tempo, cinco requisitos: prescrição por médico assistente habilitado; inexistência de negativa expressa da ANS e de pendência de análise em Processo Administrativo de Rol (PAR); ausência de alternativa terapêutica adequada já prevista no rol; comprovação de eficácia e segurança por evidências de alto nível ou avaliação de tecnologia em saúde; e registro do procedimento ou medicamento na Anvisa.

Por isso o motivo escrito na carta de negativa importa tanto: é ele que vai indicar quais desses pontos precisam ser reforçados numa eventual contestação.

O que verificar na cartaPor que importa
Número de protocoloComprova que você fez o pedido e quando
Motivo da negativaDefine a estratégia de contestação (rol, contrato, urgência)
Cláusula contratual ou norma citadaPermite conferir se a base apresentada realmente se aplica ao seu caso
Data da negativaMarca o início dos prazos para reclamar ou recorrer
Nome ou setor do responsávelIdentifica quem respondeu, para eventual cobrança formal
Indicação de dentro ou fora do rol da ANSMostra se os requisitos da ADI 7265 podem se aplicar ao caso

Como peço a negativa por escrito?

Você pode pedir a negativa por escrito por mais de um canal, e o ideal é combinar pelo menos dois: um mais rápido (aplicativo ou central de atendimento) e um que gere registro formal (e-mail ou protocolo na ouvidoria).

Pelo aplicativo ou pela área do beneficiário no site da operadora, procure a opção de solicitações, autorizações ou fale conosco, e peça expressamente a negativa por escrito, com justificativa, do procedimento negado, citando a data em que a negativa aconteceu.

Pela central de atendimento por telefone, peça o mesmo texto, anote o número de protocolo da ligação, o nome do atendente e o horário. Depois, confirme por e-mail, repetindo o pedido e citando o protocolo da ligação.

Pela ouvidoria da operadora, você pode formalizar o pedido caso os canais anteriores não respondam. A ouvidoria costuma ter prazo próprio de resposta e gera um protocolo mais formal, o que ajuda bastante se o caso precisar seguir adiante.

Passo a passo para pedir a negativa por escrito

  • Passo 1: Anote a data, o horário e o canal em que recebeu a negativa verbal (telefone, aplicativo, presencial ou mensagem).
  • Passo 2: Peça formalmente a negativa por escrito pelo aplicativo, site ou central de atendimento, citando o nome do procedimento negado.
  • Passo 3: Guarde o número de protocolo de cada contato. Sem protocolo, fica difícil provar depois que você pediu.
  • Passo 4: Confirme o pedido por e-mail ou pela ouvidoria da operadora, repetindo o protocolo já aberto.
  • Passo 5: Se não vier resposta em [conferir] dias (confirme o prazo em ans.gov.br ou pelo Disque ANS 0800 701 9656), insista por escrito, citando os protocolos já abertos.
  • Passo 6: Se a operadora continuar sem enviar a negativa por escrito, abra uma NIP na ANS.

O que fazer se a operadora não enviar a negativa por escrito?

Se, mesmo depois de pedir, a operadora não te enviar a negativa por escrito, você pode abrir uma NIP (Notificação de Intermediação Preliminar) na ANS. É um caminho gratuito, não exige advogado, e pode ser feito pelo Disque ANS, no 0800 701 9656, de segunda a sexta, das 9h às 17h, ou pelo site ans.gov.br.

Depois de aberta a NIP, a operadora tem prazo de 5 dias úteis para responder, quando o caso é considerado demanda assistencial, ou seja, relacionada a atendimento, exame, cirurgia ou tratamento.

Vale saber que a operadora que não informar por escrito o motivo da negativa está sujeita a multa de R$ 30.000, aplicada pela ANS, conforme a RN 489/2022. E, se ficar comprovado que a cobertura era devida e não foi garantida, a multa pode chegar a R$ 80.000. Essas multas são sanções administrativas aplicadas pela ANS à operadora, não valores que o beneficiário recebe diretamente.

Por que a negativa por escrito faz tanta diferença?

A negativa por escrito é o documento que sustenta qualquer tentativa de reverter a decisão, seja pela via administrativa, com reclamação na ouvidoria da operadora ou NIP na ANS, seja pela via judicial.

Sem ela, fica difícil provar o que foi negado, quando e por qual motivo. Com ela, você, ou quem for te ajudar depois, consegue analisar se a negativa realmente se sustenta diante do contrato, das normas da ANS e, quando for o caso, dos requisitos definidos pelo STF para cobertura fora do rol.

Por isso, mesmo que pareça um passo burocrático a mais, vale insistir para conseguir essa carta antes de decidir os próximos passos.

Quando procurar um advogado

Se a negativa persistir mesmo depois da reclamação administrativa, seja na ouvidoria da operadora ou numa NIP na ANS, ou se o caso envolver urgência, valores altos ou um procedimento complexo, pode valer a pena buscar orientação jurídica individualizada.

Um advogado consegue avaliar o conteúdo da negativa por escrito, verificar se o motivo citado se sustenta diante do contrato e das normas da ANS, e indicar se faz sentido seguir pela via administrativa, pela via judicial, ou pelas duas. Não existe garantia de resultado nesse tipo de caso: cada negativa depende do contrato, do procedimento e da documentação médica envolvida.

Ainda assim, ter a negativa por escrito em mãos, com protocolo, data e motivo claros, é o que torna essa avaliação possível. Sem esse documento, qualquer análise fica muito mais limitada.

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A triagem é gratuita e mostra se o seu caso tem elementos para contestar a negativa. Cada caso é único: nenhum resultado é garantido.

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Este conteúdo é informativo e de caráter geral. Ele não substitui orientação jurídica individualizada nem consulta com um advogado sobre o seu caso específico. O Caso Claro não é escritório de advocacia.